Na Mídia: CEO externo ainda é raro em empresa de controle familiar
- Alexis Novellino
- 3 de fev.
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Em 2007, a Gazeta Mercantil me procurou para falar sobre um dado que havia saído da nossa pesquisa com 200 empresas familiares brasileiras — e que, na época, surpreendeu muita gente: apenas 5% dessas empresas tinham um CEO que não fosse da família. Quase duas décadas depois, esse número evoluiu, mas a tensão que ele revela permanece. Trazer alguém de fora para liderar uma empresa que carrega a história, os valores e às vezes até o nome da família nunca foi — e provavelmente nunca será — uma decisão puramente racional. É uma decisão humana. E é exatamente aí que o meu trabalho começa.
Veja íntegra da matéria abaixo:
Por Lucia Rebouças 4/4/2007
Não há mais quem duvide da importância da governança corporativa para reduzir o custo de captação de recursos, aumentar seu valor de mercado e a lucratividade das companhias. Adotar práticas de governança, porém, não tem sido tão simples quanto aceitar a teoria. É o que mostra pesquisa inédita elaborada pela Prosperare, empresa de capital 100% nacional, que presta consultoria à empresas de controle familiar, tanto limitadas quanto de capital aberto.
A pesquisa ouviu 200 companhias de controle familiar — entre elas figuras jurídicas conhecidas como Bardella, Grupo Gerdau, Grupo Guararapes, João Fortes Engenharia, Mendes Júnior, Karsten , Marisol e Fertilizantes Heringer (em processo de abertura de capital) — e revelou uma dificuldade na adoção de práticas fundamentais da governança: a contratação de profissionais de mercado para os principais cargos executivos e de membros independentes para seu conselho de administração.
De acordo com o estudo — que foi elaborado em parceria com o instituto de pesquisa Data UFF, ligado à Universidade Federal Fluminense —, apenas 5% das companhias do universo pesquisado possuem um CEO (principal executivo) que não seja membro da família controladora e só 18% contam com conselheiros externos independentes. Embora aparentemente simples, esse mandamento de governance esbarra em questões até de natureza afetiva que tornam difícil, senão impossível, o relacionamento da família controladora com uma pessoa de fora. É o caso, por exemplo, quando a empresa contrata um CEO externo que decida fechar uma fábrica antiga não mais lucrativa para a companhia. Sua decisão pode ser simplesmente frustrada por um dos patriarcas para quem a fábrica foi o embrião da companhia e, para ele, tem uma importância inquestionável.
Assistir a histórias desse tipo tem sido comum para o presidente da Prosperare, Alexis Novellino — especialista em gestão e comportamento de pessoas, formado em desenvolvimento organizacional pela Universidade de Michigan, EUA, onde também atuou como consultor pela Bain & Company por dois anos. Novellino também tem em seu curriculum a atuação como analista de investimentos no banco Bozzano Simonsen e no Opportunity.
CONSELHO DE FAMÍLIA
O consultor tem uma receita para que a contratação de executives fora da família e de conselheiros independentes seja bem sucedida: a criação de um conselho de família. “Ele funciona como um canal onde a família possa expressar suas angústias sem afetar o bom funcionamento da companhia. Sem ele, o CEO pode virar um alvo fácil de qualquer familiar insatisfeito com algum aspecto da nova gestão”, acrescenta.
Entre as dez empresas (5% da mostra) que contratam CEO externo, a pesquisa mostra que 72% delas se prepararam para recebê-lo, constituindo primeiro um conselho de administração, para o qual foram convidadas pessoas independentes. “Um conselho de administração bem organizado e com a presença de membros externos independentes melhora a qualidade do debate e facilita o trabalho do CEO não-familiar”, afirma o consultor. Com mais de dez anos de experiência no segmento, os profissionais da Prosperare têm diferencial: realizar um trabalho objetivo, de fácil entendimento e integrado, envolvendo comportamento organizacional, relacionamento familiar e gestão do negócio, conta o presidente da consultoria. Acesso a versão original em PDF no link abaixo:


